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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Rivotril IV - Os Anjos da Minha Vida

                    








                                 "memórias não são só memórias, são fantasmas que me sopram aos ouvidos coisas que eu nem quero saber"  Pitty



... nem gosto desta musica, mas ela diz o que acontece em minha mente, lembranças surgem do nada...algumas são boas...

Eu estava fazendo uma pós graduação na mesma faculdade que minha irmã fazia sua graduação. Ela me acompanhava todos os dias até a porta da minha sala de aula que ficava no 6º andar do prédio do outro lado da rua de onde ela estudava. Subíamos pela enorme rampa de acesso, pois em hipótese alguma eu entrava num elevador.
E era assim todas as terças e quintas íamos conversando e rindo como duas amigas universitárias. Estar ao lado dela era o melhor momento do meu dia. Mas aconteceu que uma vez estávamos um tanto atrasadas e ela tinha prova na primeira aula. No pé da rampa se virou para mim e gentilmente falou  "tenho prova agora", sorri e disse "vai lá, eu vou sozinha", "tem certeza", "sim, eu estou bem, vai logo". Me abraçou e saiu rápido.  Olhei pra a rampa e pensei, eu vou... e fui... comecei a andar firme, como se aquilo realmente fosse algo natural, mas aos poucos meu coração começou a acelerar, comecei a tremer e tudo foi se transformando, a rampa crescia a minha frente, o chão ondulava, as paredes distantes vibravam, o ar não entrava em meu peito, tive vontade de correr e gritar  e pensava segue Priscila você consegue, e fui subindo, subindo, cada vez mais rápido, mas a rampa não acabava, de repente não sabia mais pra onde ir, para que lado seguir, não sabia se subia ou descia, nem em que andar eu ia, comecei a olhar para os lados procurando alguém ou alguma coisa que pudesse me ajudar. E como num sonho eu estava num corredor cheio de gente, rindo, falando alto e tudo aquilo rodava em minha mente, como se eu estive num furacão de vozes e imagens ininteligíveis. Foi quando avistei o bedel, fui até ele e falei, "por favor você pode me ajudar, eu não sei onde é minha sala", "qual o seu curso", "Não sei", " o seu nome", "Desculpe...Não sei...". Lembro da expressão dele, suspirou fundo, deu pra ouvir seus pensamentos "que saco!". Neste momento um outro que eu não havia visto até então, falou "Eu sei de onde ela é,  é lá de cima da Pós", e me pegou pelo braço e me levou em direção ao elevador, parei e falei "Podemos ir pela rampa", ele respondeu "Claro, como quiser". Me senti segura, com muita vergonha, mas segura. Por todo percurso segurei seu braço, caminhamos em total silêncio, em alguns momentos eu não conseguia controlar os suspiros de alivio, após um destes me perguntou "está bem, quer ir até a enfermaria?", "Não, agora estou bem" e continuamos em silêncio, penso hoje no que se passava na mente dele. Parecia que nunca tinha visto aquele lugar, ao chegarmos à porta de uma sala fez um sinal para alguém lá dentro e um rapaz veio, quando o vi tudo voltou a minha mente, era o Daniel meu colega de classe, "ela estava perdida no primeiro andar", se cumprimentaram, Daniel agradeceu me olhou e eu o abracei, o abraço mais sincero e feliz que alguém pode dar, estava muito feliz em vê-lo. Os outros vieram também, Paula, Anderson e Erlon, não me perguntaram nada, mas os olhares carinhosos e a atenção de todos falaram por si. Anjos maravilhosos que me ajudaram por um ano é meio e que depois nunca mais vi.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Caminhante

“Caminhante não há caminho,
se faz caminho ao andar”…

Golpe a golpe, verso a verso… (Antonio Machado)


Sempre me pergunto... quem sou eu?
As vezes olho para traz e lembro do meu pai, um homem tão bonito... por dentro e por fora. Deixou tantas saudades...
Muito dele existe em mim, a teimosia, a vontade de fazer e fazer sempre.
Uma inquietude sem fim, a busca pelas repostas que são inexistentes.

Quem sou eu?

Mulher
Professora
Bailarina
Empresária
Mãe
Tia
Namorada

Quem sou eu?

Cada dia me desconheço, na busca de quem sou.
Cada dia me encontro no medo de não viver, esta vida é tão rápida! tenho medo de não dar tempo de cumprir minhas pretensões.

Quem sou eu?

Uma caminhante que quer correr...

domingo, 19 de junho de 2016

Quem sou eu? Priscila bailarina!

Priscila Genaro
Quando eu era criança adorava me esconder, ficar longe de todos, em silencio. As vezes subia em cima da casa e ficava olhando aquele mar de telhados e os terrenos baldios com seus diversos tons de verde que e as vezes ficavam mesclados de marrom dependendo da época do ano. Nestes terrenos grupos de meninos brincavam de pipa e de bola, de longe suas vozes distantes se misturavam com ao som dos pássaros, das cigarras, do trem que passava um pouco mais distante, as vezes o som de um rádio ligado e de um ou outro carro que passava na rua compunham uma musica melodiosa e preguiçosa.
Eu ali deitada no telhado quente as vezes me imaginava voando... dançando entre as nuvens, indo além de onde meus olhos alcançavam...
Hoje meu refugio é minha dança, danço como se eu voasse sobre todas a tormentas, danço sobre todas as dores, sobre todas a magoas, sobre todas as tristezas, sobre todos os sentimentos bons e ruins. Danço e danço...
Quando a musica acaba me sinto renovada, pronta para enfrentar a labuta, como se estivesse acabado de acordar de um delicioso sonho... Pronta pra sonhar de novo.

sábado, 7 de maio de 2016

Eu sou uma deliciosa!

Uma vez fui convidada para uma festa onde conhecia poucas pessoas.
Eu estava vestindo um vestido azul frente unica novo, tinha arrumado o cabelo estava naqueles momentos diva... Estava tão Diva que eu não me lembro de ninguém da festa além das pessoas que estavam comigo, só olhava para mim mesma.
Tudo estava tranquilo até decidirmos ir ao banheiro. Eu e minha irmã saímos andando conversando tranquilamente divando por entre as mesas e escutei "Branquela desbotada metida". Estava tão cheia de mim mesma que ri e respondi "Nossa me acho tão moreninha" . Neste momento uma mulher se levantou e veio na minha direção como um boi em disparada, minha reação foi imediata abracei minha irmã igual uma criança que corre para o colo da mãe. A mulher surpreendentemente me agarrou e mordeu minhas costas com tanta vontade que só largou quando minha irmã deu uma chave de braço em seu pescoço e a jogou entre as mesas. Nessa hora pensei, é tão bom ter uma pessoa com noções de defesa pessoal por perto.
Eu estava estarrecida, atordoada, nossos amigos se aproximaram, todos aturdidos. Minhas costas sangrando...a mulher havia comido a minha verruga...desde de criança eu tinha uma verruga nas lateral direita das costas e agora não tinha mais. Uma plastica rápida, quase indolor e gratuita.
Fomos embora... imaginando o mulher sorrindo com minha verruga entre os dentes...

No momento do Aborto

Qual foi minha surpresa quando cortei o abacate ao meio e vi um broto crescendo quietinho junto a semente, mirei a lata de lixo, mas algo me impediu, como poderia jogar no lixo aquela pequena vida ali iniciando silenciosamente
Uma indecisão gigante tomou conta de mim, me desfazer daquele broto sem me importar com o desejo de viver daquele ser que mesmo tão pequeno grita por vida, por crescer e completar seu ciclo ou continuar minha rotina de fazer uma vitamina com a polpa do abacate, ignorando o inconveniente de uma semente estar germinando sem minha permissão, afinal a cozinha é minha, eu comprei aquele abacate com meu dinheiro e tenho pleno poderes sobre ele, até de abortar sua vida.
 Meu lado naturalista venceu, abandonei tudo que estava fazendo e coloquei a semente e seu pequeno broto num berço de terra fofa, um vasinho pequeno do lado de fora do quintal.
O tempo passou e o pequeno broto cresceu. Hoje dois anos depois é quase uma arvore, só não cresce mais porque ainda está num vaso maior que o primeiro, mas que contém suas raízes.
Toda as vezes que passo pelo corredor e vejo aquela arvore crescendo ali, penso o que vou fazer quando suas raízes revindicarem mais espaço... Neste momento vejo sua beleza, as cores deliciosas das folhas o frescor que traz ao ambiente e deixo essa preocupação para o futuro.



segunda-feira, 30 de março de 2015

Eu acredito!

Não me lembro se um dia acreditei em Papai Noel ou coelhinho da Páscoa, meu pai dizia que tudo era comercio, fruto do capitalismo, uma forma de obrigar as pessoas a gastarem seu dinheiro. Apesar de criticar o consumismo, meu pai adorava a vida em família e fazia questão de proporcionar a todos  festas natalinas deliciosas, muita comida cheirosa, muita risada pela casa, crianças correndo, musica tocando, presentes e roupa nova.
Fui uma criança com poucas ilusões, mas muitas crenças. Acreditava que os sorrisos eram sempre verdadeiros, que a palavra valia mais que qualquer contrato, que todo contato físico era sempre de carinho e respeito. Acreditava que o amor romântico dos filmes existia e que a qualquer momento eu o encontraria virando desapercebidamente uma esquina qualquer.
Hoje não sei mais o que acredito, mas sei no quero acreditar.
Quero acreditar que a felicidade existe;
Quero acreditar que posso fazer minha vida valer a pena.
Quero acreditar que tudo o que vivi valeu a pena.
Quero acreditar que o melhor grupo é a família;
filhos lindos com Mamãe
Quero acreditar no amor romântico;
Quero acreditar que a há bondade no coração das pessoas;
Quero acreditar na amizade desinteressada;
Quero acreditar que posso falar o que penso;
Quero acreditar que posso viver o que sinto;
Quero acreditar na Paz, no Amor e na Virtude.
Natal 2015



quinta-feira, 26 de março de 2015

Conversas Metafísicas

Era uma vez num mundo muito, muito virtual...

Ela: Correria ta grande neste projeto ..mas vou tentar ver um dia pra gente se ver ..
Ele: ainda não acabou?
Ela: Só acaba dia 29, mas eu entro de ferias assim que acabar .. e devo viajar ..
Ele: Caramba...o mes inteiro, puxa, o que será que temos para o mes que vem!
Ela: ...
Ele: posso mandar um oficio agendando uma sextazinha com vc?rs
Ela: Só fico de ferias na primeira semana do mes que quem ..
Ele: hum...
Ela: Depois to disponível pra comer escargot
Ele: rsrsrs...sei, ai começam outros trabalhos!
Ela: Sempre se pode dar um jeitinho .. ate lá ó.... nossa música .. rs
Ele: então , me manda o link de novo apaguei esse
Ela: ai ai .. rs ta bom ..
Ele: vc nem me liga mais...me abandonou mesmo...olha que vem outra e leva...
Ela: Veja se chegou o link  no seu email, beijo..
Ele: beijo...quero mais de vc...
Ela: Tenho que trabalhar queridão, beijo .. rs

Ele: adivinha do que me lembrei? Uma pista, começa com 6.



Ela: Boa Noite querido! Passei o dia na cama, não sei se foi o nervoso ou a costela. Levantei agora pra te deixar um beijo.

Ele: beijo
Ela: Vc curtiu eu ficar na cama passando mal?!rs
Ele: curti voce levantar para me dar um beijo ..rs

Ela:  rsrsrsr




Ele: bom dia Princesa! Sumiu de novo...vou ter que te raptar outra vez? beijo, quero que seu dia seja ótimo, ah! fala para os professores da facu deixarem um pouquinho de vc para os outros também. Vou ver se consigo ir na sua cerimonia, mais tarde te ligo, beijo...

Ele: bom dia princesa .. .bj
Ele: ta bem? ..beijo



Ele: bom dia Princesa! Ontem não consegui falar com vc a tarde, a net saiu do ar e o seu celular tb. Então pensei que para um entendedor tudo é resposta e achei melhor não ir, vibrei por vc daqui, te desejei muitas outras vitórias, vc merece. O melhor premio são os louros da vitória depois de longa disputa, no caso seu oponente era o pior de todos, vc mesma. E venceu, parabéns, parabéns, parabéns. Trilhões de beijos
Ela: Obrigada queridão, você faz parte desta conquista..beijo e um ótimo domingo !






Ela: Oi queridão sinto isso quando vc usa suas frases de galanteio, vc deve ter uma tabela assim ou lista de frases de efeito para a mulherada, pior é que dá certo,rsrsr . Nós mulheres estamos muito carentes mesmo...




Ela: Bom dia querido que seu dia ótimo, dia repleto de Luz e Paz. Bom trabalho, beijo
Ele: obrigado princesa, bom dia para você .. beijo 

Ele: bom dia princesa, tenha um ótimo feriado...ainda sinto sua falta... era muito bom encontrar seus posts... beijos com sabor de kdvc...

Ela: Bom dia queridão, vou no MIS la na Avenida Europa, depois almoçar no clube, devo entrar na net só a noite ..bom feriado, beijo
Ele: bom passeio!
Ela: Obrigada ...beijo

Ele: bom dia princesa, que delicia ferias chegando, né? Resolveu as questões da facu? Levou a documentação? beijo

Ela: Bom dia queridão , sim feeeerias... que delicia, esta tudo ok em relação a facu ...beijo


Ele: oi princesa! Eu fiquei muito interessado em vc, gostando muito de vc, Queria realmente ter um lugar no seu coração. Tanto que revi alguns conceitos para me culpar menos pelo meus sentimentos e atos. Por ironia do destino, ou fato, acredito que depois que declarei o que estava sentindo vc sumiu. Visivelmente perdeu o interesse por mim, a desculpa do seu trabalho e faculdade foi elegante, mas sabemos que foi uma desculpa, a verdade é que perdeu o interesse, o que é natural, dói um pouco mas o mundo gira, o ego fica roído e só.
Fiquei pensando, o por quê tão repentino desinteresse ou não foi tão repentino e não notei. Pensei que o motivo seria por eu ter ficado muito na defensiva. Pensei também ser uma característica sua gostar apenas do processo da conquista, depois de conquistado, o alvo perde o interesse ( e olha, vc me conquistou mesmo, fiquei mexido).
Enfim, continuamos amigos sem fraternidade ou metafisica. Só gostaria de saber se errei em algo, ou fiz algo que te fez se afastar de mim, só pra constar, por mim eu seria muito mais seu do que fui.
Depois que ler vou apagar nossas conversas e a nossa música, não tem razão estas coisas ficarem registradas aqui.
Te adoro e te admiro muito.
Adiós princesa, adorei cada segundo que tive sua atenção e seu carinho. foi bom cada segundo.
rssrr, pra não perder a piada. Agora o gato está em outro telhado,srssrrs


Ela:  Aconteceram muitas coisas nestes últimos dias ... quero te explicar pessoalmente qualquer dia .. obrigada pelo carinho compreensão e amizade ... beijo
E viveram felizes para sempre em seus mundos reais!!!!

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Leões II

Priscila Genaro
Como já disse, dentro de mim existem vários leões famintos e ferozes que luto para domá-los, pois a voracidade destes é tamanha que temo por mim mesma. Todos os dias enfrento-os, agarro-os e os acalmo com o desejo verdadeiro de estar em Paz, mas em certos momentos Menthu impera. Abro os braço, deixo-os livres...Vão! Devorem! Saciem-se da carne e da alma daqueles que me fazem mal.
Acredito no perdão e na palavra Divina, mas ainda não consigo dar a outra face, consigo me calar e esperar o momento certo. Não procuro por vingança, sou ocupada demais pra isso. No entanto se o destino irônica ou tragicamente une os caminhos outrora separados pelas  falcatruas e ações inescrupulosas...Me sinto como o felino na caça, pronta para saciar a fome de uma década.
Impiedosa, cresço, sou um gigante, sinto o prazer em ver o olhar perdido, a fala tremida e embaraçada, a incapacidade de olhar nos meus olhos comum da escumalha.Sinto o cheiro do medo. Sou o algoz...
Depois...Com sua pelagem suja e os lábios ainda molhados pelo sangue da carne fresca, os leões retornam tranquilos na calma pós orgasmática.  O alivio sucumbe a culpa e por um tempo dormem na paz da suposta justiça feita... Recolho minhas feras na amorosidade da mãe com o recém nascido, a Paz volta a reinar em minha mente e meu coração abranda. Gatinhos domesticados até encontrar outra "honesta" e "confiável" velha amiga.  

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Rivotril III - Esquecer

Priscila Genaro
Esta semana li o livro "A Lua em Sua Vida" de   Donna Cunningham", como não entendo de astrologia acredito que não assimilei tudo o que poderia da leitura, mas me fez pensar bastante sobre o ser mulher e como a autora diz... na capacidade da escorpiana de remoer o passado. Fiquei pensando neste blog de memórias e nas criticas que recebi quando comecei a escreve-lo. Ouvi de várias pessoas que era melhor esquecer tudo o que passou, para não ficar lembrando do que já foi.
Será que sou a unica que o passado grita na mente ESTOU AQUI, ME VEJA , ME SINTA, ME REVIVA! Lembro da minha mãe me dizendo como eu destruí sua vida, lembro do meu primeiro marido dizendo como eu não era bonita, lembro do meu segundo marido falando os muitos motivos pelo qual ele não me amava mais, lembro das ausências do meu pai, lembro da dor de não ser mais inocente, lembro da mão do carrasco, do seu cheiro, da sua voz, do terror e do medo. Meu coração ainda acelera, meu corpo ainda treme, o escuro ainda me apavora...
Como esquecer...
E na mesma semana entro na sala do psiquiatra que me recebe com a receita pronta já sobre a mesa  e me pergunta "o que você faz para melhorar", sem querer ouvir a resposta, me dá "Bom dia, passar bem!". Saio com essa frase em minha mente "o que você faz para melhorar"..."o que você faz para melhorar"..."o que você faz para melhorar"..."o que você faz para melhorar"...
Entro no carro e respondo "Peço perdão..."
Deus me perdoe por não ouvir as vozes em minha cabeça, vozes que me chamam o tempo inteiro, que falam o tempo inteiro como sou horrível, como faço tudo errado, vozes que me enfurecem, que me enlouquecem, que não me deixam meditar, que não me deixam orar, que não me deixam gozar, que não me deixam, que não me deixam... que não me deixam... mas eu as ignoro e medito, e oro, e gozo e permaneço aqui...
E não esqueço...
Deus me perdoe...eu quero esquecer...

segunda-feira, 17 de março de 2014

Quem sou eu? Professora Priscila

As vezes quando penso em educação lembro da minha primeira professora, Dona Élia, descendente de japoneses, baixinha com o olhar firme, não me lembro de vê-la sorrir, mas as vezes seu olhar mudava quando alguém falava ou fazia algo que lhe agradava, ficavam quase carinhosos, parecia que poderiam virar um sorriso a qualquer instante, quando de repente voltavam a rispidez habitual. Com ela entrei no mundo letrado...
Outro que marcou minha escolarização foi o professor Rock, homem alto, gordo com sua voz forte, seu jeito despojado e eloquente, rígido no seu trabalho, mas muito bem humorado. Contava os fatos históricos como se os tivesse vivido pessoalmente. Eu podia ver as cenas das batalhas, dos discursos, as imagens dos reinados e impérios através de suas palavras. Até hoje ele é meu exemplo de professor, de homem e ser humano.
Com estas e outras imagens de tantos professores especiais que tive entrei no magistério. Sonhava em trabalhar com intelectuais, homens e mulheres ávidos pelo conhecimento, por propagar as ciências, preocupados com a paz mundial, os direitos humanos, conhecedores das artes e filosofia.
Hoje, vinte e cinco anos depois estou aqui entre pessoas comuns que trabalham por suas famílias e seus quereres, que tentam ensinar algo a "alguéns" que não querem aprender.
As vezes ainda quero acreditar que professores são especiais, que podem fazer a diferença nesta sociedade de seres empobrecidos. Quero acreditar que assim como vários professores que me abriram as portas de um mundo que não conhecia, eu posso acender a luz do conhecimento para estas crianças que passam por mim... Todas elas? Talvez sim, talvez não, mas se num deslumbre eu perceber o brilho da sede eterna da busca do saber em algum deles, mesma que seja em uma unica criança, eu ficarei satisfeita com esta empreita.

Obs: este texto foi desenvolvido em horário coletivo, como proposta do PEA ( Projetos Especiais de Ação) na escola em que trabalho. Momento em que cada professor relatou sua trajetória e aspirações na educação. 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Memórias!!!!!

"Mas você tem tanta memória assim pra por num blog"
Esta é a frase que ouvi de um amigo quando lhe contei que tinha um blog com  as minhas memórias. Mas desde de que comecei a escreve-las eu ouço "Você deve esquecer, o passado passou".
Mas será mesmo que o passado passa?
Será que não sou o fruto deste passado, a somatória dos dias vividos, dos sorrisos, das lágrimas, dos sons, das imagens, dos abraços recebidos e doados.
Quem sou? Como me transformei em mim ?
Penso que estou sendo lapidada todos os dias, as vezes com o amor, as vezes com a dor. As vezes me sinto uma pedra bruta, sem forma, cheia de arestas. As vezes quando olho para traz me sinto uma pedra precisa, perfeita. Vejo o quanto cresci com as escolhas que fiz.
Gosto de lembrar do passado, de olhar fotos antigas, cadernos velhos, cartas esquecidas entre livros, reler bilhetes esquecidos de amores perdidos. Gosto de saber que hoje estou melhor, menos imatura, menos insegura,  menos medrosa. Gosto também de me projetar no futuro e me imaginar daqui dez anos. Fazer e refazer planos de acordo com o que estou vivendo e vivi.
Esta semana perdi quatro anos de fotos, vídeos, pesquisas e trabalhos realizados por conta de um vírus no computador, me doeu como se tivessem retirado uma parte de mim, da minha própria carne, chorei, xinguei. gritei: "acabou, quatro anos da minha vida acabou". Meu filho disse: "Computadores são assim, você não é um monte de arquivo, você é uma pessoa". 
Quem sou eu se não as minhas memórias?
Quem sou eu hoje se não uma nova versão do eu de ontem?
As voz do meu pequeno contanto a história da Branca de Neve, se foi...Os passeios que fizemos em família, registros que não existem mais...momentos peculiares que só acontecem uma vez, agora só estão em minha mente, que como o computador, pode ser também apagada num piscar de olhos. E então... quem fui? Quem sou? Quem serei?



Obs: Fotos do evento de 14 de julho que ainda estão na câmera.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Meus 41 anos

Hoje completo 41 anos...vários títulos, um cargo público, uma graduação, uma pós graduação, várias extensões, vários cursos, várias palestras, seminários, eventos, reuniões, leituras...páginas e páginas de textos lidos dos mais diversos assuntos...

Hoje completo 41 anos...moro na casa que foi do meu pai, dirijo o carro do meu filho, não tenho celular, cartão de credito, não tenho cheque, nem dinheiro no banco e nem na carteira... não tenho carteira...


Hoje completo 41 anos... um saldo de três filhos, uma coelha, um hamster, três tartarugas, uma primavera, quatro violetas, quatro trepadeiras, cinco samambaias, várias marias sem vergonhas, quatro folhagens, uma bromélia, um pé de laranja, um brinco de princesa, um pé de alecrim e um de hortelã...

Hoje completo 41 anos... dois casamento, vários desamores, vários desencontros e um doce encontro...um amor suave...delicioso...com gosto de quero mais...muito mais ...

Hoje completo 41 anos...Será que sou imatura por ainda ser birrenta, mimada, manhosa, rir de tudo e de nada, fazer bico, querer colo, ter vontade de correr sem motivo, cantar uma música sem saber a letra, falar bobagem, andar descalço, beber água da chuva, chorar por estar feliz, dançar sem música, bater o pé pelo que quero e acredito, lamber o pote de danone, fazer barulho com o canudinho no fundo do copo, cobrir a cabeça quando durmo sozinha, ter medo do escuro, se melar toda com sorvete e cobertura de bolo...

Hoje completo 41 anos...parece que os anos passaram e eu não passei... Será que não vivi o que deveria ou vivi tanto que cada momento me renova?

Hoje completo 41 anos...  e ainda me sinto criança...







segunda-feira, 16 de julho de 2012

Felicidade Plena

Acredito que nascemos para sermos felizes, porém em alguns momentos nos esquecemos disto fazendo de nossas vidas um labirinto, com direito a minotauros devoradores de donzelas. Mas basta seguir aquele fiozinho deixado estrategicamente pela fé e conseguimos sair ilesos destas armadilhas.

Me lembro dos momentos mais felizes da minha vida, no primeiro deles aparentemente estava inconsciente, mas minha mente estava tão ativa quanto agora escrevendo este texto. Após o parto do meu filho mais velho    tive uma parada respiratória, me lembro de voar pelo quarto e ver os médicos correndo pelo corredor e entrando no quarto, mas nada daquilo era importante eu estava plena, numa felicidade plácida nunca sentida em toda minha vida.  Lembro de voar através das paredes até o berçário, onde estava meu bebê, quando o olhei pensei: Preciso respirar, ele precisa de mim. Neste momento senti meu corpo cair na cama, abri os olhos vi os médicos me olhando e falando meu nome e outras coisas que não conseguia entender, estava com uma mascara de oxigênio e todo o meu corpo doía muito. 
Na segunda vez, eu estava realmente acordada. Até conhecer o yoga e aprender a praticá-lo eu sofri de insônia e numa destas noites em que o sono se faz inexistente, coloquei meu segundo filho na minha cama após amamentá-lo, onde já dormia o mais velho e o pai deles, meu marido na época. Fiquei ali contemplando-os até que o dia foi amanhecendo, o quarto ficando cheio daquela luminosidade da aurora, eles estavam tão lindos que todo aquele cenário era a representação da perfeição naquele momento, novamente me senti plena de felicidade, como se eu e o cosmo fossemos únicos.
Na terceira vez, também estava inconsciente. Adoro ir até a feira japonesa na Praça da Liberdade para comer comidas típicas, num destes passeios de domingo, estava muito quente e a feira muito cheia. Após comprar bifun para mim e para meus dois filhos, senti como se algo apertasse meu peito me sufocando, entreguei meu prato para o rapaz que eu namorava e desmaiei. Segundo os três que estavam comigo, fiquei desacordada alguns segundos, cai e já recobrei os sentidos. Mas para a minha mente foram horas, viajei voando por cima de montanhas, vales e cidades, paisagens da mais diversas cores e cheiros, ouvi diversos dizeres pronunciados por pessoas que não via, acima de mim um céu azul mais lindo e brilhante impossível. Passei dias me sentindo leve e feliz com as palavras ouvidas em minha mente sem conseguir reproduzi-las pois pareciam que estavam além de minha capacidade de pronuncia.
Atualmente após algumas práticas de yoga tenho lampejos destas sensações e quando me vejo perdida, prestes a ser devora pelos minotauros que escaparam de Teseu, respiro e me concentro na sensação de plenitude já experimentada e o fio do novelo de Ariadne aparece me indicando a saída e agradeço a Deus por ter vivido tudo isso.


sexta-feira, 15 de junho de 2012

Mulher Guerreira, Divina, Majestosa

Lembro me da primeira vez que a vi, chegou de taxi, um fusca, em meados dos anos 70 os fuscas estavam em alta. O taxi parou em frente ao portão e eu a vi entrar por entre os jardins cheios de margaridas, rosas e adalias enrolada numa manta amarela, majestosamente sendo carregada pela minha mãe.
Queria ve-la, pega-la, estava muito curiosa, mas ninguém nem percebeu a minha presença. Corri atrás do cortejo que a seguia, entrei em casa em meio o alvoroço de tias, tios, primos, avós. E ela estava lá, em seu trono berço com todos seus suditos ao redor.
Esta é a lembrança mais antiga que tenho desta mulher que até hoje, a vejo rainha, linda, majestosa, dona de si, que sabe realizar seus desejos com a sabedoria dos grandes líderes, sabe ceder e ser firme, sabe ser arrojada e discreta ao mesmo tempo.
Deixou seu manto amarelo para se vestir de guerreira, amazona destemida, lider suprema, mas que as vezes se veste de coelhinho ou de palhaço para fazer feliz uma amiga ou a irmã, que pode ser odalisca e a musa do poeta. É mãe, esposa, enfermeira, psicologa, pluma e muralhara ao mesmo tempo. Mulher de longos braços acolhedores, que resolve todos os conflitos com tranquilidade nunca vista. Soberana...
Mas as vezes como todas as mulheres no fundo dos olhos há um grito: Quem me acolhe!? Quem me acolhe!?
Embora me vejo de braços curtos, te digo, estou aqui irmã querida!

domingo, 18 de dezembro de 2011

Penhasco

Durante toda a minha infância eu subia em cima da casa e ficava em pé bem na beiradinha do telhado olhando para baixo, as vezes respirava fundo e buscava coragem para pular, mas por sorte, talvez, nunca tive esta coragem. Nestas horas ficava imaginando a sensação de voar ou melhor cair até o chão. Ficava pensando se sentiria alguma dor ou apenas um apagão, como nos filmes. Uma vez durante meu primeiro casamento fiquei na passarela da estação de trem por alguns instantes pensando como seria pular de encontro ao trem que se aproximava, como seria o baque da morte. Depois disto evito lugares altos, tenho medo de ter um surto de coragem.
Hoje me sinto a beira de um penhasco tomando folego para pular. Penhasco psíquico,  afetivo, metafisico. Respiro e não pulo, imagino o encontro com o chão duro da realidade, da verdade sórdida, sinto medo.Quero pular para o renascimento, para o recomeço. Quero pular e voar, quero asas para viver, sentir e amar. Quero ter coragem para voar ou cair.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Herança de familia

As vezes em dias de chuva fico lembrando de quando era criança, nestes dias deitávamos na cama da minha mãe e ela  nos contava trechos de sua infância: as brincadeiras com as amigas, as bonecas de papelão, os desejos inocentes, os medos e com olhar de saudade falava como era sua vida com meus avós, tios e tias.
Tanto eu como minha mãe passamos a infância e a juventude nas mesmas ruas. Era muito interessante ouvi-la contar das brincadeiras que fazia nas ruas de terra que eu também brincava, das casas com luz de lamparina, dos sítios que existiam em sua época, da escola de madeira, dos vizinhos; alguns eu até cheguei a conhecer.
Interessante como num piscar de olhos trocamos de lugar. Hoje, sou eu que lembro da minha infância, sou eu que conto sobre as brindeiras nos terrenos baldios que outrora eram os tais sítios. Assim como minha mãe, lembro dos vizinhos engraçados que se foram, da escola que não era mais de madeira, mas que também passei por lá e que agora também já está bem diferente. Sou eu que falo sobre meus pais e meus irmãos com os mesmos olhos saudosos.
Hoje, eu sou a mãe...amando...lembrando...acalentando...sonhando...contando... enquanto também espero a chuva passar!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Promessas de Amor

Tinha sete anos quando fiz uma grande descoberta: Os homens mentem.
Eu adorava assistir televisão deitada com meu pai, que classicamente foi meu primeiro amor. Numa destas tardes preguiçosas, estávamos assistindo televisão, quando ele se virou para mim e disse que se eu ajudasse minha mãe arrumando o meu quarto a semana inteira nós iriamos ao Zoológico no domingo. Vibrei com a ideia, durante toda semana me empenhei, limpei, arrumei, varri, tirei o pó, lembro do peso dos cobertores, tinha que subir na cama para poder dobra los, a cama também era enorme, o colchão de mola pesado machucava meus dedinhos quando com todo sacrifício esticava o lençol por debaixo dele, me esforcei numa tarefa difícil para uma pessoa tão pequena, tudo era muito grande até a vassoura era maior do que eu.
Até que enfim chegou domingo, dia ensolarado, acordei feliz, tudo estava perfeito, mas... na casa nenhum movimento diferente... café da manhã... depois minha mãe preparando o almoço... tudo na ordem rotineira e tranquila de todo domingo. Já estava quase na hora do almoço, quando cheguei até meu pai e com toda inocência perguntei se iriamos ao Zoológico depois do almoço, que me respondeu: Claro que não! O Zoológico era muito longe tinha sair cedo! Corri para meu quarto e chorei. Meu pai, para me consolar disse que havia esquecido da promessa, que não sabia que eu queria tanto ir, mas que iriamos no próximo domingo. Realmente nós fomos... quatro anos depois, sem promessas, sem agendamentos.
Ao longo das três décadas seguintes foram infindáveis as promessas não cumpridas que vivi, mas as que mais me ofenderam diziam: -Vamos envelhecer juntos! Talvez eu não saiba conviver para que estas promessas se cumpram ou talvez os homens tendem a prometer o que não podem cumprir naquele momento, assim como meu pai. Sei apenas que a cada promessa não cumprida meu coração trinca, eu tento remenda-lo com compreensão e paciência, mas a trinca está lá... latejante!
As vezes desejo viver sem promessas. Amar por amor simplesmente, respirar o hoje, o amanhã...? Será só amanhã!

domingo, 14 de agosto de 2011

Se eu fosse uma árvore

No quintal da casa da minha avó tinha enorme seringueira, as vezes meus tios faziam balanços com corda e passávamos a tarde balançando, adorava ver meus pés tocarem o céu no vai e vem inebriante. Aos sábados as mulheres que vinham com suas sacolas pesadas da feira, que acontecia ali próximo, paravam para descansar em sua sombra refrescante, as vezes os meninos subiam em seus galhos fortes para brincarem de Tarzan e quando chovia fazíamos barquinhos com as folhas caídas no chão colocando - as nas enxurradas. Um dia quando virei a esquina chegando a casa da minha vó, qual foi minha triste surpresa, a árvore não estava mais lá, apenas um vazio, um buraco gigante na paisagem, parecia que até o céu estava mais alto. Disseram que suas raízes estavam quebrando o muro, a calçada e estava ficando perigoso. Penso que deveriam ter tirado o muro, não aquele maravilhoso gigante pacifico e aconchegante que trazia refresco, descanso e alegria.
Se eu fosse uma árvore, seria uma seringueira, forte, grande, com raízes enormes. Embora a seringueira não fique  maravilhosamente florida como o ipê, escolheria ser esta árvore, com sua copa majestosa e acolhedora refrescaria quem precisasse de descanso debaixo de minha ramagem. Com todo prazer quebraria muitos muros mesmo que isto me custasse a vida.

sábado, 30 de julho de 2011

Fantasmas de Parede

Moro na mesma casa desde os 4 anos de idade... mudei paredes de lugar, abri portas, mudei as cores, as janelas, até mesmo a entrada da casa é não mais no mesmo lugar, da casa que eu morada não resta nem o número no portão, mas os fantasmas me assombram... Vejo nas paredes as sombras das antigas portas, ouço meu pai chegando do trabalho, seus passos pela escada que não existe mais, ouço os passos de minha mãe arrastando os seus chinelos preguiçosamente pela manhã. Me vejo criança escorregando no chão encerado, correndo encima do muro para pegar pipa. Em minha mente enlouquecida vejo meus irmãos ainda pequenos brincando no mesmo espaço que meus filhos... Filhos que  não brincam mais, que não correm mais para meus braços como antes, vivem suas vidas jovens cheias de sonhos, assim como um dia vivi a minha. Não sou mais que um fantasma que também vaga pela casa em minha própria lembrança...

domingo, 10 de julho de 2011

Quando eu voltar a ser criança

Apesar da psicologa que consultava dizer que minha infância não foi saudável afetivamente , adoro certas lembranças.O acordar de manhã com meu pai fazendo a café da manhã que mais parecia um almoço com direto a caldo de feijão, ovo mexido e depois ir empinar pipa no morro que hoje está cheio de prédios da Cohab... as pescarias... os abraços bem apertados para sentir as batidas do coração dele e sua pele macia; tios e tias juntos tomando chá e assistindo "Fantástico", momento importante a criançada tinha que fazer silêncio; os bolinhos de chuva da minha mãe, quentinhos cobertos de açúcar e canela nos dias de frio ou de chuva ouvindo as historias de quando ela era criança e morava duas ruas depois da nossa; e os cheiros então... aroma de almoço de domingo, macarrão e frango; o cheiro da minha vó, do meu pai, da rua de terra quando começava a chover, o cheiro do orvalho de manhã quando ia para a escola, hoje não tem mais orvalho nem geada... Ah! comer geada bem cedido escondido da mãe pra não ficar doente, se a mãe via adoecia; a chuva de paina da arvore do vizinho que deixava a mulherada doida de raiva de tanto varrer...
Mas o que mais me dá saudade são as mãos... a mão da professora do pré segurando a minha para conduzir a fila, a mão da minha mãe para atravessar a rua, a mão do meu pai para me levar para escola, a da tia para descer a escada do quintal...
E...Quando os anos chegarem, quando eu voltar a ser criança, quem segurará na minha mão?



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